quarta-feira, abril 30, 2008

Saiba como transformar seu blog em um sucesso da Internet

por Lilian Ferreira UOL Tecnologia

Em meio a mais de 110 milhões de blogs no mundo inteiro e novas tecnologias surgindo a cada momento, você pensa em como se destacar na multidão. O UOL Tecnologia buscou a opinião de blogueiros famosos —que ensinam as táticas que deram certo, intencionalmente ou não— e também de especialistas que explicam como aumentar a visibilidade de seu blog nos sites de busca.

Conteúdo sempre novo: "Post e pão, tem que ser quentinho". Eis a primeira dica de Rosana Hermann, que toca o blog Querido Leitor. Os internautas querem sempre novidades para voltar ao blog. Se eles entram uma, duas vezes e está sempre o mesmo post, o interesse acaba. (Já perdi pontos aqui)

Juca Kfouri conta que virou escravo de seu blog. Ele posta até oito vezes por dia para "dar conta" de toda a audiência e passar para os leitores o que eles esperam de seu blog. "Os internautas aguardam meus comentários após os jogos". (Mas esse é o segundo post do dia. Avance uma casa)

Uma saída é deixar claro que os posts seguem uma periodicidade —de preferência, no máximo, semanal— para que as pessoas saibam quando voltar e encontrar novidades.

Linguagem fácil e rápida: "Escrever textos curtos é o ideal. Se forem muito longos, que sejam divididos em parágrafos curtos e com subtítulos", ensina a blogueira Liliane Prata. Ela destaca ainda que "ninguém tem paciência de ler um texto mal escrito", então, preocupe-se com gramática, coesão e didatismo. "Se você escreve um texto sobre como o Evandro é legal, o leitor não é obrigado a saber que o Evandro é seu namorado", completa. (E lá se vão mais alguns pontos, porque tô deixando o texto mais longo com esses comentários 'abéis'. Mas eu não poderia deixar de compartilhar essa fórmula de sucesso com meus amigos blogueiros. Não quero ser famosa sozinha, né?)

"A audiência do blog foi a maior surpresa da minha vida", diz Juca Kfouri. Ele começou a blogar para ter uma "coluna" no UOL e quando viu o sucesso não soube explicar a razão. A linguagem ligeira, em frases curtas e espaçadas, é apontada como um dos diferenciais.

Permanente interação com os visitantes: "O ponto principal do blog é interagir com o público", afirma Fernando Meligeni, o Fininho, ex-jogador de tênis, que tem há nove meses o Blog do Fininho. Ele diz que sua principal intenção no blog é colocar as pessoas para discutir temas —e não dar uma opinião final sobre o assunto. "Tento mostrar que não sou o dono da verdade e gosto que os leitores escolham o que querem ouvir. Vou de acordo com o comentário". Assim, ele aproveita os comentários no blog como sugestão para novos posts.

O relacionamento com o internauta tornou-se pessoal para Juca. Ele explica que o principal do blog é a troca de idéias e aproximação entre autor e leitor. "Semana passada, até disse que não poderia postar porque estava com um problema particular e acabei preocupando vários fãs e amigos. A gente escreve o que não deveria por causa dessa proximidade".

Rosana Hermann ensina que tratar bem todos os leitores é essencial: "eles são o seu patrimônio", diz. Ela completa lembrando que se algum "verme" começar a atrapalhar o bom andamento do blog, ele deve ser eliminado. (Boa, boa...)

Uma outra dica, dada por Liliane Prata, é sempre visitar outros blogs e deixar comentários. Assim, você cria uma rede entre blogueiros que ajudam a popularizar o seu blog. (Eu já não tenho leitores fiéis e a reciprocidade de visitas pode ser comparada à periodicidade dos posts. Volte 15 casas)

Usar todas as tecnologias possíveis: Atualmente a tecnologia vem contribuindo com mais e mais ferramentas que podem ser usadas nos blogs, como vídeos, áudio, enquetes, imagens etc. Rosana Hermann destaca que todos os recursos devem ser utilizados, como postar pelo celular e até enviar uma foto com um bilhete para o blog (o que ela já fez). (Ela já, eu não. Aliás, nem sei como faz isso)

Já Fernando Meligeni apostou em uma nova modalidade. Em vez de colocar fotos e vídeos relacionados ao tema, ele gravou um vídeo com seu comentário, publicou no Videolog e postou no blog. "A repercussão foi incrível, em poucas horas já tinha mais de 100 comentários", conta, entusiasmado com as novas possibilidades. (ô lôco, meu!)

Responsabilidade: O blog é responsabilidade do dono, por isso, ele deve monitorar os comentários deixados pelos visitantes. Além disso, criar reputação é muito importante. "Se errar, conserte. Se o post for patrocinado, diga. Respeito é algo que se conquista ao longo dos anos", diz Rosana Hermann.

"Se o internauta vai até o blog é um sinal de respeito pelo seu trabalho, então você deve respeitá-lo sempre para manter um diferencial", afirma Meligeni.

Identidade - "O site deve ter uma linha editorial, mesmo que flexível", esclarece Liliane Prata. Isso é importante para criar um público fiel que tem interesse no assunto e sempre volta ao blog para se atualizar.

Fernando Meligeni sabe bem como é isso. Seu blog é voltado especialmente para o tênis, modalidade que praticava, e sabe que seu público além de se interessar por ele, também gosta do esporte. "Quem visita meu blog entende de tênis e quer saber como o Nadal deve se sair no próximo torneio", conta. (Quem visita o meu entende de coisas sugestíveis, ora bolas! Pra quê linha editorial mais definida?)
Eu incluiria ainda 'postar textos alheios sobre temas polêmicos e populares'. Isso aumenta mesmo a audiência...

das quartas de mudança

Esquadrão da moda


Agora inventei um compromisso inadiável para o meio da semana: as quartas de mudança do Discovery Home & Heatlh (por isso não me liguem entre 18h e 22h!)
Vejamos a programação:

Modelo por um dia
Eles escolhem uma mulher com auto-estima lá no fundo do poço, levam-na para um estúdio, deixam-na experimentar 317 roupas de marcas famosas que ela nunca vai poder ter, convidam um daqueles maquiadores milagrosos, que já maquiou famosas como Mariah Carey e Beyoncé, escolhem um cenário e fazem uma sessão de fotos com um fotógrafo super empolgado que deixa a mulher se sentindo a própria Gisele Bündchen. Dias depois levam a...er... ‘modelo’ para Times Square e ta lá a foto dela estampada numa das avenidas mais famosas de Nova York. Simples assim.

10 anos mais jovem
Esse é o seguinte: o programa escolhe um homem ou uma mulher com aparência descuidada, arrasada, desleixada e o (a) colocam em uma cabine transparente, à prova de som, em um lugar movimentado. Aí o apresentador entrevista umas 100 pessoas e pergunta qual a idade que a pessoa da cabine tem. Depois disso eles vão pro estúdio e o programa faz a média de idade que deram pra pobrezinha. Aí, meu amigo, é lutar pra fazer a mulher 10 anos mais jovem. Vale tudo: uma aplicação de botox ali, uma limpeza de pele aqui, colocam uns dentes que estão faltando, clareiam os que sobraram, cortam cabelo, compram roupas novas e voilà! A quarentona se transforma em uma trintona novinha em folha. Aí volta pra cabine, entrevistam mais 100 pessoas, fazem uma nova média e pronto: 10 anos mais jovem! (pelo menos naquele dia)

Esquadrão da moda
Esse eu acho meio sacanagem, mas as pessoas indicadas realmente precisam mudar. Um amigo, irmão, vizinho, primo distante indica uma pessoa que se vista mal, esteja fora de moda ou fora de qualquer padrão aceitável pela sociedade, como usar meias compridas com listras coloridas para ir trabalhar.
Então eles fazem um vídeo secreto por uma semana pra mostrar como ela se veste no dia-a-dia e mandam para o programa.
Aí a dupla dinâmica Stacy e Clinton entra em ação e aborda a vítima no trabalho, por exemplo. Eles avisam que ela foi indicada a participar do programa porque se veste mal e a obrigam a uma sessão tortura com a exibição do vídeo secreto. Depois perguntam se ela aceita participar da transformação e oferecem um cartão de crédito com US$ 5.000 para ela gastar em roupas, mas, em troca, ela tem que entregar seu atual guarda-roupas. Tem gente que fica puta da vida com a ‘brincadeira’, mas com uma câmera na cara e um cartão com cinco mil, elas acabam aceitando.
Aí ela recebe regras de roupas mais adequadas para cada ocasião e para o tipo de corpo que tem e vai às compras. Depois passa por uma reforma de cabelo e maquiagem e ta prontinha. Os parentes organizam uma festa e ela chega toda de visual novo pra comprovar o sucesso da experiência.

Não gosto dos reality show do tipo BBB, mas passo horas em frente à TV assistindo esses ‘antes e depois’ que os americanos idolatram.
No Brasil esse tipo de programa também tem dado resultado. O Lar Doce Lar do Caldeirão do Huck não passa de uma cópia modesta do Extreme Makeover do People & Arts e o Troca de Família é igual que o Troca de Esposas do mesmo canal.
Se daqui uns dias vcs virem algum programa novo no formato de algum desses descritos ali em cima, não será mera coincidência, mas a fórmula do sucesso.

sexta-feira, abril 25, 2008

dos mistérios

Se eu acreditasse em seres do outro mundo e entidades do além, certamente não viveria mais na minha casa. Não chega a ser um lar mal assombrado, mas coisas estranhas andam acontecendo. Na verdade, uma só coisa estranha anda acontecendo, mas é o suficiente para espantar os mais crédulos.
O aparelho de som lá de casa nunca foi essas coisas, mas sempre deu conta do mínimo: tocar música.
Ultimamente nem isso ele tava fazendo, então aposentamos o pobre. Ele continua lá em cima da TV, mas ninguém liga o bixinho.
Talvez essa seja a razão dele ter ligado sozinho às 4:43 da manhã, tocando Smile da Lily Allen em alto e bom volume.
Demorou pra entender a mensagem, mas acho que ele só quer atenção. É apenas um apelo de quem foi deixado de lado...
Por isso mesmo anda repetindo a cena com freqüência, principalmente quando estamos assistindo televisão.
Dramático.

terça-feira, abril 22, 2008

da volta às aulas

Voltei a estudar. Depois de quatro meses longe da sala de aula, voltei ao status de aluna. Não era um sonho, já que não morro de amores pela vida acadêmica e não me importaria em continuar à toa nos fins de semana, mas o tal mercado pede atualização e não espera muito tempo por isso.
A pior parte do retorno é continuar de onde parou. Então eu passei mais de dois meses parindo uma monografia, depois quatro meses de resguardo e quando volto ta lá o TCC de novo e as benditas normas da ABNT. Não há cristão que tenha paciência.
Pra completar, eu ‘crente’ que as aulas seriam dadas em um fim de semana por mês, mas descobri que a tortura é de 15 em 15 dias.
O que me consola é ver o Hermington escondendo a bolsa da Fabiana como se nós estivéssemos no segundo período de jornalismo, na velha Ufac.

sexta-feira, abril 18, 2008

Eu não disse?

Caso Isabella faz audiência de telejornais crescer até 46%
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da Folha Online

Com a cobertura da morte da menina Isabella Nardoni, 5, a audiência dos telejornais cresceu até 46% na primeira quinzena deste mês em relação ao mesmo período de março --é o caso do "Brasil Urgente", da Band. A informação é da coluna Outro Canal, de Daniel Castro, na Folha desta sexta-feira (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal).
A audiência do "Balanço Geral", da Record, cresceu 25%. Ontem, o programa tinha em seu cenário uma cama, como se fosse a de Isabella. Já o "Fala que Eu Te Escuto", da Igreja Universal, "reconstituiu" o crime com atores.
Ao caso Isabella também são atribuídas as consecutivas lideranças da Record no período matutino.
No "Jornal Nacional", a cobertura chegou a ocupar 15 minutos e 20 segundos na edição da última terça-feira (15), o equivalente a 37% do telejornal. A Globo mobilizou 18 repórteres, oito produtores e 20 cinegrafistas para cobrir o caso. Eles fazem plantões permanentes em casas de parentes de Isabella e em delegacias.

terça-feira, abril 15, 2008

Façanha

Sugestível alcançou a inédita marca dos 27 comentários em um único post. Nossa central de visitas registrou a alta participação do anonimato, o que alavancou o ibope do blog.
Agora vejamos: em dois anos e quatro meses de existência, Sugestível só teve resultado parecido no post de 9 de junho de 2006, quando arrebatou 15 comentários por um histórinha besta na faculdade, mas que quase me rendeu um processo. Daí o interesse do público.
Outro valor parecido foi no post de 11 de fevereiro, com o famigerado roubo da minha câmera fotógráfica. Polêmica.
Depois disso, nada!
Então eu resolvo publicar um texto alheio e acontece isso. Foram uns dez comentários num intervalo de meia hora. Vocês imaginam o significado disso? Não, vocês não imaginam.
É mais ou menos o acontece com a mídia. Ela se aproveita de uma fatalidade ou qualquer assunto que, à primeira vista, possa parecer desinteressante e transforma no que ela quiser.
O caso em especial já dava ares de grande matéria. Bastou explorar um pouco, conseguir arquivos pessoais, entrevistar meio mundo e a novela estava pronta.
Foi assim que mais de 20 pessoas que nunca tinham lido esse blog, mas que assistem ou assistiram ao Jornal Nacional uma vez na vida, tiveram opinião suficiente para comentar nesse post.
É claro que há ainda o problema da interpretação. Algumas pessoas não lêem antes de comentar e, quando o fazem, não entendem o que está escrito...Acabam escrevendo o oposto do que está no texto. Porém, a essa altura, nem os mestres da Teoria da Cultura de Massa dariam conta do recado.
No mais, não importa se são Isabellas, Carolines, Marianas ou quem quer que seja. A mídia é formada por empresas e empresas visam lucros. A mídia não está interessada em fazer justiça, mas em vender notícia. E, enquanto isso render, a história estará no ar.
Se eu soubesse, teria publicado o texto antes. A diferença é que eu só ganho comentários.

segunda-feira, abril 14, 2008

“Caso Isabella virou novela doentia”

Claudio Leal

A morte da menina Isabella Nardoni, 5 anos, deu início a uma novela midiática à procura de desfecho. Em 29 de março, ela morreu após uma queda da janela do apartamento do pai, Alexandre, na Zona Norte de São Paulo. A polícia investiga a autoria do crime e tem como principais suspeitos o pai e a madrasta de Isabella, Anna Carolina.

Há indícios de que ela tenha sido assassinada. Esse é o enredo central. O resto, segundo o antropólogo Roberto Albergaria, é a construção de uma novela “trágica” e “doentia”.
Doutor em Antropologia pela Universidade de Paris VII e professor da Universidade Federal da Bahia, Albergaria critica os exageros da cobertura midiática e aponta uma abordagem “classista” e “racialista” do crime. “Porque é uma menina de classe média, bonitinha, e aí vem a estética”, afirma.

- Há um lado doentio, e quem alimenta essa doença, que se tornou uma epidemia como a dengue, é a própria mídia. Porque há um viés “comunicacionista” ao se alimentar de forma mórbida uma história trágica. E transformar essa história trágica numa novela, no mesmo estilo das novelas das grandes televisões: mexicana.
O surgimento de reviravoltas, vídeos da menina, sangue nas camisas, testemunhas surpreendentes (o garçom do bar em que a tia de Isabella estava no dia da morte), os parentes, os vizinhos (personagens fatais na obra de Nelson Rodrigues), compõem o painel da novela. Para Albergaria, a mídia transformou o crime “em metade da pauta da mídia durante semanas e semanas”.

- O caso da menina veio a calhar para a mídia porque junta todas essas determinações: o classismo, o racialismo, o infantilismo… E, sobretudo, o “comunicacionismo”, uma das coisas mais doentias que existe hoje. É você explorar algumas misérias, seletivamente, como forma de emocionar as multidões.
O antropólogo exerga outra distorção: ajudada pelo mistério, a novela em que se transformou o caso Isabella vale mais do que os fatos, e tira do debate público temas mais relevantes.

- A mídia é o grande filtro. O espaço ocupado por essa menina é o espaço retirado de coisas muito mais importantes para a vida coletiva. Mas isso é um fato emocionante. A emoção vale mais do que a razão. A novela, o enredo, vale mais do que o fato - analisa Albergaria.
A seguir, a íntegra da entrevista.

Terra Magazine - Como o senhor analisa a cobertura do caso Isabella na mídia? Os vizinhos, a tia, a roupa, o sangue, os vídeos… Há um lado doentio nesse interesse minimalista?
Roberto Albergaria - Há, sim. Há um lado doentio, e quem alimenta essa doença, que se tornou uma epidemia como a dengue, é a própria mídia. Porque há um viés “comunicacionista” ao se alimentar de forma mórbida uma história trágica. E transformar essa história trágica numa novela, no mesmo estilo das novelas das grandes televisões: mexicana. É você transformar um fato, evidentemente grave, em metade da pauta da mídia durante semanas e semanas. Até que apareça outro. Não é uma questão puramente brasileira. É como aconteceu na Europa com o caso Madeleine. Por que essa menina foi escolhida como a bola da vez, a coitadinha da vez? Primeiro, porque já havia o modelo europeu. O caso Madeleine é alimentado por jornais sensacionalistas ingleses. Houve até recompensas. Segundo, ela é, digamos assim, “a vítima ideal”. Porque há um viés classista.
Por que classista?
Porque é uma menina de classe média, bonitinha, e aí vem a estética. Se ela fosse muito feia, se ela fosse um pequeno “canhão”, não daria. As revistas semanais escolheram as fotos mais fotogênicas pra ressaltar isso.
E não é um caso, aparentemente, para um Sherlock Holmes…
É isso. Não existe mais muita diferença entre o jornalismo e a ficção, entre a novela e o jornal das 20h. O tratamento dado a um fato verdadeiro é o mesmo dado a um fato novelesco. Vão fazer render esta novela com todos os ingredientes possíveis. Aí entra o que eu chamei de viés classista. Ela é uma menina de classe média, branquinha. Na maioria dos Estados brasileiros, sobretudo aqui na Bahia, onde você tem uma maioria negro-mestiça, uma menina branca vale mais do que uma menina negra. Do ponto de vista dos Estados nordestinos, há esse lado racialista. A mídia dá um centímetro para as meninas negras que morrem.
Há muitas mortes de crianças na epidemia de dengue no Rio.
São geralmente crianças pobres. A mídia pega um caso de pobre e dois de ricos. Mas, no Rio de Janeiro, não há o elemento do mistério. Há a política. O que as pessoas querem é o filtro do mistério, da novela, da descoberta… Pra você entender esse caso, há um concurso de causas e circunstâncias. É um infanticídio. Na sociedade ocidental, o infanticídio é um pecado, uma falta muito forte. A possibilidade de ela ter sido morta por um dos pais é também um elemento de grande emoção para o público telespectador caseiro. Hoje se dá muito valor às crianças. Antigamente ela não era importante.
Quando é que nasce a valorização da infância?
Nasce no século XVIII, com o mundo burguês. A criança se tornou o menino-rei, o núcleo simbólico da família nuclear burguesa. Antes, nas famílias aristocráticas, nas famílias pobres, você tinha unidades familiares com vários filhos. A perda de um filho era a perda de um único filho, não fazia tanta falta quanto iria fazer no mundo burguês, que tem no filho o futuro daquela unidade familiar. Além disso, eram poucos os filhos. Agora, há o filho único. Então, há esse viés infantilista, ou juvenicista, que tem a ver com a própria cultura contemporânea. O caso da menina veio a calhar para a mídia porque junta todas essas determinações: o classismo, o racialismo, o infantilismo - e o medo, o assombro, a tragédia do infanticídio. E, sobretudo, o “comunicacionismo”, uma das coisas mais doentias que existe hoje. É você explorar algumas misérias, seletivamente, como forma de emocionar as multidões.
Qual é o grau de envolvimento dos jornalistas com essas tragédias?
O jornalismo passa a se envolver, no Brasil ainda pouco. Os jornais sensacionalistas ingleses chegaram a oferecer recompensas milionárias no caso Madeleine. É como se o jornalismo fosse parte dessa novela, parte integrante das investigações, das denúncias. Sobretudo na definição do que é importante para o telespectador, o ouvinte ou leitor, ter como elemento de reflexão. A mídia é o grande filtro. O espaço ocupado por essa menina é o espaço retirado de coisas muito mais importantes para a vida coletiva. Mas isso é um fato emocionante. A emoção vale mais do que a razão. A novela, o enredo, vale mais do que o fato.

domingo, abril 13, 2008

Natex

Semana passada foi inaugurada a fábrica de preservativos Natex, em Xapuri.

Nada sugestível esse nome!

sexta-feira, abril 04, 2008

Diário de Bordo - Lembra?

Olinda, quero cantar a ti?

Eu já estou querendo viajar de novo, mas preciso terminar de contar as minhas férias do verão de 1958, lembra?
Depois de Porto de Galinhas e Praia dos Carneiros era hora de conhecer o famoso carnaval de Recife. Sempre que me perguntam se eu gosto de carnaval eu me declaro como não muito fã da festa, mas que participa pra não perder o feriado. Porém, depois dessa última experiência, mudei meu status para ‘não gosto mesmo de carnaval’.
Acho que a primeira noite que fomos ao Recife Antigo foi na sexta-feira. Eu já não estava muito animada, porque o Edson, como de costume, atrasou um monte e o cansaço da praia só pedia cama. Mas, pra não ser a mais chata da turma, fui.
Não tava lotaaaado, mas tava cheio. E pra quem está acostumada ao aperto do Folia na Gameleira, deu pra encarar na boa.
Muita gente bonita, animada e fantasiada. Sim, ao contrário do que acontece aqui, em Recife todo mundo se fantasia. Criança, adulto, velho, qualquer um, de qualquer jeito e em qualquer dia...Não tem esse negócio de sair o Bloco dos Sujos no domingo e os homens se vestirem de mulher. O povo tá fantasiado toda hora.
O ritmo é o mesmo: é frevo, é frevo, é frevo. Pra quem não conhecia foi até interessante no começo, mas depois fica chato quando a gente vê todo mundo cantando as músicas e não sabe a letra. Senti saudades de “Aiiii, morenaaaa, deixa eu gostar de vocêêê”, na voz de Carlinhos Bahia.
Pra mim, era só uma chance de conhecer o carnaval de outra cidade, mas para as seis mulheres solteiras que estavam comigo era uma oportunidade e tanto. Minha prima ficava indignada com a falta de atenção masculina. “Meu Deus, a gente ta tão fácil aqui, tão disponível...Como é que ninguém percebe?”. O saldo da noite tão foi tão bom quanto elas esperavam, mas alguns representantes da classe masculina se manifestaram para a satisfação feminina.
Pra mimm, a noite foi salva por Paulo Miklos. Quando tudo parecia perdido, olho pro telão e vejo um rosto conhecido...Corro lá pra frente do palco e tá lá o Paulinho cantando Bichos Escrotos, bixo! Pulei e gritei até não querer mais. Isso foi, certamente, o melhor do carnaval em Recife.
No sábado era dia do Galo da Madrugada, o famigerado galo carnavalesco. Nesse dia, chegamos ao sábio consenso de não enfrentarmos a muvuca e ficamos no hotel acompanhando tudo pela TV. Patty, que não queria ficar atrás, ligou pra prima dela aqui em Rio Branco e disse pra ela ficar acompanhando na Band pra ver se conseguia nos ver no meio da multidão...Enquanto isso, eu e as meninas ficávamos gritando perto do telefone e utilizando expressões carnavalescas para tornar tudo o mais real possível: “Uhuuuuu...Voltei Recifeeee, foi a saudade que me trouxe pelo braço...” “Ta muito bom aqui, olha aquele gato passando!!!”
Depois da farsa, voltamos a ver TV.
Ainda na expedição “Carnaval em Recife”, resolvemos conhecer Olinda. Combinamos de ir no domingo, cedo, mas o dia foi passando, o sol esquentando, e chegamos lá no fim da tarde.
Olinda é o seguinte: aquele monte de gente indo e vindo o tempo todo, aqueles bonecos gigantes e simpáticos e uma ladeira maceeeta.
Quando pensávamos que o pior era subir a ladeira, encontramos o inferno lá em cima. Não sei quem diabos teve a idéia de me colocar à frente da expedição, só sei que quando eu percebi já estava sendo esmagada, esmurrada, pisoteada e asfixiada tudo em um intervalo de 3,5seg. O esquema ali é complicado e eu quase não escapo...
Quando consegui chegar a um lugar seguro, não quis sair de lá nunca mais, mas saí. Demos umas voltinhas, ouvimos mais frevo, tiramos umas fotos (eu com uma cara nada simpática) e resolvemos descer a ladeira e voltar para o hotel de onde nunca deveríamos ter saído.
Na volta, veio o problema do ônibus. Havia 317 mil pessoas no ponto e eu me vi não conseguindo entrar no ônibus.
De repente aparece um moço milagroso oferecendo um microônibus pra Boa Viagem e cobrando só R$1,00 a mais que a passagem. Corremos lá e garantimos nosso lugar no fundão.
Seis mulheres (Raquel não foi de novo. Ficou dormindo no hotel) bem sentadas e voltando felizes para ‘casa’. Aí entrou uma galera super animada no ônibus falando que era aniversário da Raquel (que não era a nossa, porque, como eu disse, ela ficou no hotel dormindo). Então a Patty, pafrente que só ela, puxou o “Parabéns pra você” e todo mundo cantou. Aí começou uma cantoria no ônibus liderada pela Patty. Era só ela dar uma palhinha que o pessoal continuava e “É tome, tome, tome, tome, tome, tome”. Na metade da viagem Patty já era identificada como Joelma da Banda Calypso. Pelo menos ele sentiu que éramos da Reigão Norte. Chegamos a salvo e fomos dormir.
A segunda-feira foi uma chatice.
As fichas estavam todas apostadas na terça-feira, meu penúltimo dia na cidade e que nem na cidade foi, porque fomos pra Paraíba.
Essas poucas distâncias entre os municípios do Nordeste me fazem pensar que eu seria uma pessoa bem feliz se morasse na região, porque se aqui, que as cidades do interior não têm muito atrativo (a não ser uma zona franca pra comprar muamba), a gente enfrenta duas, três horas de viagem pra se distrair, imagina eu tendo a possibilidade de estar em outro Estado em duas, cinco, dez horas! Eu ia mesmo!
Pois então...Em duas horas chegamos na Paraíba. A primeira parada foi na Praia Bela: mar brabo e onde ganhei a prova do líder pela resistência ao sol. A próxima foi a de Tambaba, famosa por ter uma área naturista, mas essa parte melhor deixar quieto. Sem dúvida uma das praias mais bonitas que vi. Fiquei encantada com o visual.
A última foi a Praia de Coqueiros, que tinha uma descida monstra de terra batida e a gente teve que ir a pé, porque a van até descia, mas não garantia a volta. Lá também é bonito, mas foi só pra descansar e se despedir do mar.
Não sei se cheguei a comentar aqui nossa filosofia turística, mas no final da viagem ela foi se tornando cada vez mais presente. “Um dia de pobre e um dia de rico”, essa era filosofia. Então um dia nós almoçávamos filé de peixe e camarão ao molho e no outro, cachorro quente da barraquinha na praia. E foi assim até o fim...
Por falar em fim, enfim, a viagem está acabando, mas as considerações finais eu deixo pro último post do diário. Juro!




quinta-feira, abril 03, 2008

lombinho

Quando eu não almoço em casa:

- Manaaaaaaaa, cadê você?
- No trabalho, ora.
- E eu nunca mais vou te ver?
- Só 18h.
- E tu vai viajar amanhã pra Brasiléia é?
- Vou...
- Por que, mana?
- Porque vai ter uma evento lá e eu tenho que escrever uma matéria.
- E tu vai poder me levar?
- Não.
- Ahhhh :(. Então volta logo
- Tá.
- Beijos!
- Beijos

* Ela parece ter 6 anos, mas tem 16.

quarta-feira, abril 02, 2008

amiúde

A frase mais certa da vida é que pensar enloquece. Quando não enlouquece, rende reflexões absurdas e bestas, como por exemplo:

“Eu desço dessa solidão
espalho coisas sobre um chão de giz
há meros devaneios tolos a me torturar
fotografias recortadas em jornais de folhas,
amiúde”

Chão de Giz – Zé Ramalho

Nunca na vida ouvi outra pessoa falar ‘amiúde’. Eu só canto 'amiúde' com o Zé e nunca saberia que significa ‘repetidas vezes’ se não fosse olhar no dicionário.

Outra:

“Aqui nesse mundinho fechado ela é incrível
Com seu vestidinho preto indefectível”

Garota Nacional – Skank

Eu sempre cantei ‘indefectível’, mas não lembro de ter usado a palavra em outra ocasião, muito menos de saber que é o mesmo que ‘infalível’.
Deve ter uma penca de outras palavras solitárias que quase ninguém fala e que estão perdidas por ai, mas lembrar que é bom...


sim, nós juramos!

Finalmente o grau está colado.

sexta-feira, março 28, 2008

assaltar pode, pichar não!

Ainda sobre assaltos e coisas que fazem falta, descobri que outra moça foi assaltada no mesmo lugar. Levaram a câmera digital também, mas não sei se o cara foi tão gentil com ela quanto foi comigo.
Soube, ainda, que um amigo dela tentou protestar contra a falta de segurança do local, tentando pichar os muros e acabou preso.
Essa versão chegou por terceiros, mas os jornais impressos traziam apenas o vândalo de 24 anos que queria destruir o espaço público.
Tô esperando chegar a um saldo de cinco assaltos para criar uma associação de vítimas, mas a solução para isso é bem simples: basta todo mundo andar com uma lata de spray e fingir que vai pichar as lindas paredes do Mercado Velho que a polícia aparece rapidinho.
:D

segunda-feira, março 24, 2008

da falta que faz


Às vezes eu até penso que me conformei, mas quando chega o domingo bate aquela saudade danada. É aquela dor de perder uma filha querida...
Eu já não tenho mais esperanças de encontrá-la, mas penso nela quase toda noite. Se está sendo bem cuidada, alimentada, tratada com carinho...E nessa hora eu sonho. Imagino uma bela tarde de domingo no Mercado Velho e de repente aparece alguém com a minha filha. Fico observando de longe para ter certeza se é ela. Chego como quem não quer nada e peço pra ver de perto, fingindo interesse em comprar uma igual. Quando ela vem para os meus braços, tenho certeza: “É minha filha!”. Toda mãe sente essas coisas...
Não mais que de repente saio correndo com ela. Não olho pra trás e nem desmaio com pressão baixa. Só corro.
Ele manifesta populares que me param. Eu digo:
“Eu tô roubando ela de volta pra mim, seu babaca”.
Ele tenta recuperar a força.
Como em um bom sonho, internalizo um super-herói. Com a força de Uma Thurman em Kill Bill, misturada com a delicadeza do Cap. Nascimento em Tropa de Elite, dou uma voadeira que ele cai no chão. Enquanto ele tenta se levantar eu começo a dar chutes e pontapés, acompanhados de expressões de apoio:
“E agora, seu merda? Quem é que vai levar a câmera da menininha, quem? Seu viado, maconheiro, traficantezinho de merda, você que financia o tráfico! Seu bosta! Seu viado!”
E vou embora feliz da vida.
Infelizmente a real é que ontem soube que ela está em um novo lar. Alguém a ‘adotou’ por míseros cinquentinha. Não sei quem são os novos pais, nem como estão cuidando da minha filha, mas espero, sinceramente, que ela fique com depressão por não ser tratada da forma que deseja, perca as forças por não ver explorado todo o seu potencial e morra para sempre. Amém!

domingo, março 23, 2008

da folga

Para uma semana santa (que nem é de fato uma semana, já que, oficialmente, o feriado é só sexta-feira, por isso mesmo trabalhei até às 19h de quinta; o sábado é dado de presente às vezes, e o domingo é, tecnicamente, o primeiro dia de uma nova semana. Tudo isso não passa de uma ilusão para enganar pessoas desesperadas por um descanso) sem expectativas, eu diria que foi agradável.
O plano - que nem era plano, e sim uma vontade tremenda - era de ver filmes atééé o infinito! Ver todos os filmes da vida inteira que eu tenho vontade de assistir e não tive oportunidade, mas, como eu imaginava, a oportunidade também não apareceu no feriado. Os filmes que eu quero nunca têm na locadora e eu não sei baixar essas porcariazinhas na internet (e não venham me dizer que é fácil. Eu simplesmente não sei e não quero aprender. Eu quero o filme pronto pra dar o play)
Então, recorri ao cinema. Fui ver Juno que, milagrosamente, chegou aqui em pouco tempo. Juno é aquele filminho basiquinho e simpático que concorreu ao Oscar sabe-se lá por quê. Os caras do Oscar sempre inventam essas coisas de última hora, mas é bonzinho sim.


No sábado surgiu um convite de cinema em casa e fui ver Caçador de Pipas. Já tava querendo assistir desde que viajei, mas no dia que decidimos ia ao cinema, a terra do frevo resolveu fechar as portas do cinema.

O irmão da Patty baixou o filme e fomos assistir na casa da Manu. Loading...loading...e nada. Não funcionou. Descobrimos que estava em uma formato divx, e que não era qualquer dvd de 90 reais da Bolívia que conseguia ler. Então fomos todos pro quarto do Edu ver no computador. Assim como todo filme de livro, Caçador de Pipas é incompleto. Você fica lembrando de todos os detalhes e cenas minuciosamente descritas no livro e que o filme não deu conta de repassar. É aquela frustração de não ver os personagens da forma que você imaginou e nem ouvir as falas mais emocionantes. Não me orgulha dizer que li o livro, porque metade do mundo leu também, mas, certamente, quem chora no filme não conhece a história. E olha que eu sou chorona...

quinta-feira, março 13, 2008

luz-câmera-ação

Existe um aperto no coração de uma saudade já anunciada. Eu passo a noite revendo as fotos e relembrando as cenas e os sorrisos.
A sala quase sempre escura e gelada. A hora do lanche na cantina improvisada. Os prédios coloridos...
No último dia de março recomeçam as aulas do curso de cinema na Usina de Arte João Donato e eu, infelizmente, não estarei lá.
Comecei o curso por uma questão de honra: havia passado no processo seletivo e se eu não pegasse a vaga, outros aproveitariam.
Hoje posso dizer que foi a coisa mais útil que eu fiz o ano passado e que viveria tudo de novo pela sétima arte, seja lá quais forem as outras seis.
Os filmes que vi, professores que tive, amigos que fiz, festa que organizamos e trabalhos que executamos estão devidamente guardados nas fotos e no coração. Mesmo assim, eu queria mais...Queria poder dar continuidade ao processo e aprimorar o que aprendi, mas, infelizmente, eu não estarei lá.
Não por falta de vontade, mas por uma questão de escolha. Eu já previa que seria assim, mas a gente nunca está preparado, mesmo com planos.
Resolvi levar uma vida de gente grande e gente grande trabalha muito e o dia todo. Quase não sobra tempo pra se divertir e não sobrou tempo pra fazer cinema.

quarta-feira, março 12, 2008

Diário de Bordo - "Ad eternum"

A ilha perfeita

Durante a viagem pra Porto de Galinhas descobrimos que a agência também fazia um passeio pra João Pessoa, na Paraíba, e que só eram duas horas de viagem. Beleza. Contabilizamos os gastos, negociamos com o sr. Alexandre, dono da agência e fechamos. “Sete da manhã a gente passa aqui pra pegar vocês”
Acordamos às 5:30 pra dar tempo de todas se vestirem e tomarem café. Edson chegou 8:30h, daí vocês imaginam nosso humor: putas da vida! (só no humor, claro)
Edson tava no paredão.
Tínhamos desistido de ir!
(Muita) conversa vai, (muita) conversa vem, decidimos fazer outro passeio pra não perder o dia.
- Então vamos pra onde?
- Praia dos Carneiros.
- É boa?
- É sim!
-Tá bom então...

Fomos seis. Raquel ficou no hotel dormindo. A viagem foi longa e desanimadora.
Durante o trajeto, Lombinho, medrosa que só ela, ficava perguntando ‘Ô mana, onde fica isso, hein? Ainda não vi nenhuma placa com esse nome...’.
‘Sei não...’
De repente, não mais que de repente e sem aviso prévio a van pára.
Parecia cena de filme. Imaginem comigo:
Uma van com seis mulheres lindas e simpáticas, dois caras desconhecidos, parados em uma estrada sem fim com uma ponte interditada.
Eles saem do carro sem falar nada.
Começamos a olhar umas para as outras. Lombinho já tava morrendo no meu lado –“Mana, onde é que a gente ta?” “Ai meu Deus, mana, pra onde eles trouxeram a gente?”
“Sei não...” (com olhos do tamanho do mundo)
- Edson, pra onde a gente vai?
Silêncio
Então surgem mais dois caras e vão rodeando a van.
“Meu Deus, vão matar a gente e é agora!” - pensei

A porta abre.

- Pra onde a gente vai?
- Pra praia...( Edson)

Descemos apreensivas, até que descobrimos que os dois novos ‘guys’ eram os que faziam a travessia para praia.



- Mas a gente já chegou?
- Chegamos, mas pra ir pra praia a gente tem que pegar um barco que cobra R$ 20,00 por pessoa.

*iradas
- Mais 20 reais? Ninguém falou nada pra gente...
Lá ficamos nós 20 reais mais pobres.

O passeio de barco dava direito a um maravilhoso banho rejuvenescedor de argila. (mulherada iludida, se sujando toda de barro branco).
Depois seguimos para a “Ilha Perfeita”, que era um banco de areia, um tiozinho e um carrinho da Kibon. Pra quê mais? (eu dispensaria o tiozinho, claro)
Finalmente chegamos à Praia dos Carneiros, mas não havia carneiros lá.
Infelizmente o cara do barco teve que explicar isso milhões de vezes, porque volta e meia uma das meninas perguntava “Mas por que se chama Praia dos Carneiros?”. Ele até explicou pra mim, mas eu já esqueci.
Lá em Carneiros eu não queria saber de sol. Tratei logo de arrumar uma mesa na sombra e passei o dia lá. Isso me custou muito. Foi quase um teste de paciência, porque o sr. Alexandre (dono da agência) também não quis saber de sol e passou o dia inteiro me contando toda a história de Pernambuco e investigando minha vida. Eu até gosto de ouvir, mas também cansa. Sr. Alexandre era aquele tipo de pessoa que nunca ia aprender meu nome, então ele percebeu que as meninas me chamavam de Deda e passou a me chamar assim também. No meio da conversa (em que ele falava e eu ouvia), ele sempre soltava:
“Deda, Deda...”
“Deda – a jornalista do Acre”
E eu lá com meu sorrisinho amarelo...
Mas o dia foi bom. Eu juro!

terça-feira, março 04, 2008

Da série "coisas que só acontecem comigo"

Hoje fui a uma loja fazer uma entrevista com uns deficientes auditivos para uma matéria sobre inclusão social. O que eu não reparei foi que o meu uniforme era da mesma cor do pessoal da loja, logo, fui confundida.
- Ei, vc sabe onde estão aquelas lâmpadas assim e assado?
- Moço, eu não tabalho aqui, mas o rapaz que está me atendendo já volta e ele atende o senhor.

Chega o rapaz com os outros dois que eu queria entrevistar. Infelizmente a moça que iria nos ajudar ficou de férias e eu não sei falar em libras. Aliás, eu nunca quis tanto saber falar em libras como hoje. Você se sente totalmente limitado.
A solução foi explicar tudo no papel e tentar fazer a entrevista com um questionário.
De repente, o cara, aquele da lâmpada, se aproxima e começa...

- Você é o colírio dos meus olhos
- O_o
- Você é a Helen Ganzarolli! ( Eu já falei que ele é doido? Pois então...Ele é!)
- Ham?
- Você é a Helen Ganzarolli e aquela outra ali ( apontando pra fotógrafa e minha colega de trabalho) é a Ana Hickmann.

Continuei a escrever e ele do lado...

- Ela é canhota. Toda canhota é boa de matemática. Faz a soma aí: 3+6+4...

*Escrevendo...

-Eu gostei dessa pinta. Me dá essa pinta pra mim?

* Escrevendo...

- Gata, eu já vou indo...Vou indo...Smack! Não gostou, devolve, hein?
Smack! Não gostou devolve...

Na hora que a gente quer se concentrar, sempre aparece um abençoado pra atrapalhar. Eu querendo me comunicar com outro e me aparece esse doido falando à toa...Que mundo injusto!

Diário de Bordo - Alceu!!!

Depois da praia na chuva, resolvemos desfrutar das estruturas modernas de uma cidade grande: o shopping.
Como éramos muitas, fomos em dois táxis.
Lanchamos no Bob’s, babamos nas vitrines com promoções e compramos (besteiras, claro)
Passeio vai, passeio vem, eis que as meninas avistam um cara famoso na loja d’O Boticário.

-Olha ali, é o Alceu! (prima)

- Onde? (outra prima)

- Ali, menina! (prima)

-Tem certeza? (eu)

- Tenho, menina! Absoluta! É ele!

- Acho que não é não... (eu)

- É sim, menina. É que ele pintou o cabelo de preto e tá diferente...(prima)

- Vamos lá falar com ele? (uma das meninas. Eu lá lembro quem era)

Enquanto isso, Katy e Lombinho cantavam todo o repertório de Alceu “Eu digo e ela não acredita, ela é bonitaaa demaaaais”

- Gente, eu acho que é alguém famoso, mas não é o Alceu. Prima, é ele mesmo?

- Agora que tu falou eu já não tenho mais certeza...

Da manga rosa quero o gosto e o sumo... (elas continuavam cantando)

- É melhor a gente ir embora...

- Melhor mesmo... (eu)


À noite, na hora de dormir, a lâmpada acende:

MORAES MOREIRA! ERA O MORAES MOREIRA!

No outro dia, na hora do café, contei a todas e evitei o maior mico da história de Pernambuco.

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Como eu ia dizendo...

Agora que faço parte da classe proletária, não tenho tanta resistência para atualizar o blog.
Trabalhar cansa, gente! Eu juro!
Assim que me adaptar à nova rotina, continuo o que comecei: o bendito diário de bordo que não acaba nunca mais...
:D