segunda-feira, janeiro 04, 2016

Do fim

Existem acontecimentos que fecham ciclos. Acredito nisso.
Esse fim de semana, arrumando as coisas pra fechar o estúdio, me passa aquele colega que esteve presente no começo dessa história.
Olhou pra mim,e, estendendo a mão, disse:
-       Toma aqui aquela moeda que tu me deu!
(Nem lembrava de ter dado esse real, mas lembro que ele sempre passava lá e pedia a tal moeda redondinha pra ouvir Alexandre na jukebox do boteco da esquina)
-        Não precisa!
-       Toma, eu trabalhei!
-       Não precisa, homem, pega e vai lá ouvir...
-       Alexandre Pires – Você vai voltar pra mim!
-       Essa!


E assim eu encerro mais uma etapa da vida. Fazendo o que eu acho que é certo.

domingo, dezembro 27, 2015

Fica, vai ter bolo!




Hoje Sugestível completa 10 anos de existência nesse mundo virtual.
Entre os questionamentos que me bateram à porta logo cedo,  o mais eloquente: onde deu errado?
Deu errado por não ter mantido a assiduidade das postagens, mas, avaliando astrologicamente, deu muito certo, considerando que uma geminiana conseguiu manter no ar um mesmo projeto por uma década.
Deu errado porque eu não fiquei rica, mas avaliando de forma superficial mesmo, nem teria como.
Não sei fazer tutorial de make, não sei dar dicas de moda, de culinária,  de lojas, de decoração e não evoluí pra uma plataforma mais moderna. Não me tornei uma youtuber.
Contudo, porém, entretanto, "tâmo aqui", não é mesmo?
Tem um ano novinho em folha chegando, com novidades e mudanças tão desconhecidas, que só quando eu chegar lá é que vou saber contar.
Por ora, o meu muito obrigada aos cinco ou sei leitores fieis que me acompanham por aqui. Vocês são demais, crianças!

domingo, outubro 25, 2015

Odiadores odiarão



Tô aqui lutando pra internet não quebrar por conta da repercussão do tema da redação do Enem desse ano.
Entre postagens de #chupamachismo, #aculpaédoPT e #feminismowin, vejo o quanto temos dificuldade em lidar com as coisas e dar devida importância que o assunto merece.
O tema desse ano foi uma vitória. É importante a gente conversar sobre isso, quantas vezes pudermos. E fazer vários jovens pensarem nisso é ótimo. É um grande passo, mas não é vingança.
A intenção não é ferrar o machista, mas fazê-lo pensar. A intenção é igualdade de gênero. É fazer todo mundo ganhar.

quinta-feira, outubro 15, 2015

É o que temos

Dia desses, no caixa do supermercado, ouvi a conversa de dois colegas de trabalho e me veio à mente toda a situação do país.
-       - Cara, tu arrecadou R$18 pra comprar um balde de R$5!.
-       - Pois é, né – com cara de “o mundo é dos espertos“

Quer dizer, falar que o balde custou só isso, nem pensar.
Pegar o restante do dinheiro e comprar um lanche pra galera. Não também.
Ficar com o troco, porque foi ele quem organizou tudo. Tá OK.


domingo, outubro 11, 2015

"O leite só ferve quando você sai de perto"

Esse texto não é meu. Mas é pra mim 

Fabíola Simões

Em meados dos anos 80, lá em Minas, o costume era comprar leite na porta de casa, trazido pela carroça do leiteiro, que vinha gritando "Ó o lêeeeeite!!!".
Minha mãe corria porta afora e o leite _ fresquinho, gorduroso e integral_ era despejado na leiteira para nosso consumo. Porém, era um leite impuro, não pasteurizado, e necessitava ser fervido antes de consumir.
No início, minha mãe tinha um ritual no mínimo interessante para esse evento: Colocava o leite na fervura e saía de perto. Literalmente esquecia. Simplesmente I.g.n.o.r.a.v.a.
É claro que o leite fervia, subia canecão acima e despencava fogão abaixo. Eu era criança, e quando via a conclusão do projeto, gritava: "Mãe!!! O leite ferveu!!! Tá secaaaannndo..." e ela vinha correndo, apavorada, soltando frases do tipo "Seja tudo pelo amor de Deus..." e desandava a limpar o fogão, o canecão, e ver o que sobrou do leite_ pra tudo se repetir no dia seguinte, tradicionalmente.
Até hoje não entendo o porquê desta técnica. Parecia combinado, tamanha precisão com que ocorria. Mais tarde, ela mudou de estratégia. Eu já era maiorzinha e podia ficar perto do fogo. Assim, ficava ao lado do fogão, de olho no leite esquentando_ pra desligar assim que a espuma subisse, impedindo que transbordasse. Foi assim que aprendi uma grande lição:
O leite só ferve quando você sai de perto.
Não adianta ficar sentada ao lado do fogão, fingir que não está ligando; até pegar um livro pra se distrair. É batata: ele não ferve. Parece existir um radar sinalizador capaz de dotar o leite de perspicácia e estratégia. Porque também não basta se afastar fingindo que não está nem aí. O leite percebe que é só uma estratégia. E só vai ferver ( e transbordar) se você esquecer DE FATO.
A vida gosta de surpresas e obedece à "lei do leite que transborda": Aquilo que você espera acontecer não vai acontecer enquanto você continuar esperando.
Antigamente o sofrimento era ficar em casa aguardando o telefone tocar. Não tocava. Então, pra disfarçar, a gente saía, fingia que não estava nem aí (no fundo estava), até deixava alguém de plantão. Também não tocava. Porém, quando realmente nos desligávamos, a coisa fluía, o leite fervia, a vida caminhava.
Hoje, ninguém fica em casa por um telefonema, mas piorou. Tem email, msn, facebook, whatsApp, e por aí vai. O celular sempre à mão, a neurose andando com você pra todo canto. E o leite não ferve...
Acontece também de você se esmerar na aparência com esperança de esbarrar no grande amor, na fulana que te desprezou, no canalha que te quer como amiga. Então ajeita o cabelo, dá um jeito pra maquiagem parecer linda e casual, capricha no perfume... e com isso faz as chances de encontrá-lo(a) na esquina despencarem. Esqueça baby. O grande amor, a fulaninha ou o canalha estão predestinados a cruzarem seu caminho nos dias de cabelo ruim, roupa esquisita e vegetal no cantinho do sorriso.
Do mesmo modo, se quiser engravidar, pare de desejar. Não contabilize seu período fértil e desista de armar estratégias pro destino. Continue praticando esportes radicais, indo à balada, correndo maratonas. Na hora que ignorar de verdade, dará positivo.
A vida _como o leite_ não está nem aí pra sua pressa, pro seu momento, pra sua decisão. Por isso você tem que aprender a confiar. A relaxar. A tolerar as demoras. A não criar expectativas. A fazer como minha mãe: I.g.n.o.r.a.r...
E lembre-se: Tem gente que prefere ser lagarta a borboleta. Sem paciência com os ciclos, destrói seu casulo antes do tempo e não aprende a voar...

Fabíola Simões

Fabíola Simões não é jornalista nem publicitária, mas desde menina adora bordar histórias. Dentista por formação e profissão, inventa enredos no blog "A Soma de todos os Afetos" www.asomadetodosafetos.com No facebook: ASomaDeTodosOsAfetos No instagram: @asomadetodosafetos.

sábado, outubro 10, 2015

Get Along Gang



Ultimamente eu andava com uma sensação estranha de que já tinha conhecido todo mundo que eu tinha pra conhecer nessa vida.
Como se cada pessoa tivesse uma quantidade X de pessoas que iriam cruzar a vida dela e eu, por ter me apressado, já tinha alcançado esse número.
A verdade é que eu estava fechada pra balanço. Tava com uma certa preguiça de iniciar novas relações, sabendo a trabalheira que isso ia dar.
Ainda bem que a gente muda. De cabelo, de hábitos e de opinião. Ainda bem.
Assim me deixei levar por outra paixão na vida: o tecido acrobático.
Ele chegou como presente de aniversário e fez a diferença nesses últimos três meses.
Entre dedos doloridos, ombro machucado, um roxinho aqui e outro ali, fui me superando e, a melhor parte, fazendo novos amigos.
Que besteira a minha de não deixar mais ninguém entrar. Tem muita gente do bem circulando por aí e a melhor coisa é se deixar contagiar!


terça-feira, setembro 08, 2015

Nem lá, nem cá



E eu que achava que tinha descoberto o segredo da vida, do universo e tudo mais,  percebi então que o segredo está no equilíbrio. Simples assim. Equilíbrio.
Nem 8, nem 80, nem tanto ao céu, nem tanto ao mar. Nem tanto lá, nem tanto cá.
Chegar a essa conclusão foi bem simples. Difícil é manter essa balança no dia a dia.
Um momento pra trabalhar, pra dormir, malhar, namorar, ganhar dinheiro, pra orar (ou se conectar com aquilo que acredita), outro pra viajar, pra se divertir, pra chorar, pra sonhar, pra batalhar, pra cumprir metas, obrigações, pra se realizar e um tempo pra fazer nada, que também é importante.
Um tempinho pra cada coisa, senão fica chato. Fica perigoso.
A gente corre o risco de ficar  aquele tipo de gente que só sabe falar de uma coisa e só sabe viver essa coisa no dia, entende?
Só sabe ser a mina das dietas da moda e não fala em outra coisa que não seja alimentação saudável. Só sabe ser politizado e não sobra mais tempo pra nenhuma piadinha de animais fofos no facebook. Só sabe ser o maromba e não sobra um espacinho pra deitar no sofá e ver televisão.
O bom de o dia ter 24h é justamente isso. Permitir que sejamos vários. Ser servidora pública, manicure, mãe, ciclista, jogadora de vôlei ou de conversa fora, esposa, amiga, de esquerda ou de direita, budista, sedentária e pianista. Mas tudo no seu devido tempo.
Nada de mais, nem de menos. No meio.