quinta-feira, abril 21, 2016

Minha vez, bonita



Passei dois dias observando o fenômeno "Bela, recatada e do lar" e só agora resolvi rascunhar algo.
Pra começo de conversa,  fui na contramão da lógica: li e vi vários comentários, memes, imagens, depoimentos e artigos de opinião para, só então, ler a matéria que deu origem a tudo isso.  Tinha passado o olho nela logo cedo, mas não havia parado para ler e pensar sozinha.

Minha timeline do Facebook foi dividida entre "belas, recatadas, do lar, porque não?" e  "belas, recatadas, do lar SÓ QUE NÃO" e o que vou escrever a seguir reflete apenas minha observação pessoal do assunto, sem nenhuma pretensão de servir de explicação do episódio ou julgamento de opiniões. Nada imperativo.

Apenas uma análise baseada em tudo o que está em mim. Minha criação, visão de mundo, ideologias, minhas referências pessoais, artísticas e de formação profissional. A gente pode até não se dar conta, mas quando emitimos uma opinião, por mais ingênua que pareça, está intrínseca nela toda a nossa carga (o que justifica muuuita coisa).

Assim que li o título, pensei "Poxa, temos aí um problema". Não um "problemão", um "probleminha" ou "estão exagerando". Simplesmente identifiquei como um assunto que sim, precisaria ser conversado.

É claro que as coisas nas redes sociais tomam grandes proporções rapidamente, mas o debate é, quase sempre, raso e temporário (em dois dias não se falará mais disso).

Achei que temos um problema porque causou incômodo, logo, é algo que precisamos dar atenção. Entretanto, em diversos artigos e opiniões que li, o assunto foi mimimizado e minimizado a pequenos rótulos, como "feministas", "feminazi" e "mais uma polêmica boba das redes sociais".

A matéria em si, confesso que, para mim, teve mais um cunho político que de gênero, mas é  inegável que, em pleno 2016, uma revista com o peso da Veja (no sentido de alcance mesmo), reproduzir um título tão adjetivista me pareceu até pegadinha.

Há quem não veja problema nenhum nisso. Afinal, "é só uma revista". Eu vejo como um retrocesso. Não vi ali apenas o cotidiano de uma mulher que resolveu se dedicar à família, mas algo colocado como um modelo de vitrine, de "mulher de verdade" (como li em algum lugar). "Olhem essa mulher perfeita. Que homem de sorte!". E aí, quem tiver fora dessa, miga, que aguente as consequências.

Com relação ao perfil de Marcela Temer. Não, eu não vejo problema algum em a moça escolher ser recatada e do lar, porque bela ela é mesmo. Não vejo nenhum problema, porque não há problema em ser padrão. Esse é o modelo para o qual fomos criadas e eu não preciso ser feminista, feminazi, de esquerda ou do sovaco peludo pra pensar assim. Eu só preciso ser uma mulher que tem um pensamento diferente de você. E, veja bem, é assim que o mundo gira.

Essas mesmas diferentes interpretações foram as responsáveis pelo caldo engrossar de tal maneira que, no fim, já não se sabia direito qual era discussão. De um lado, as que não viam problema em ter os tais adjetivos, questionando as que "viam" tal problema e, do outro lado, as demais tentando explicar que "o problema não era a moça ter escolhido tal estilo de vida, e sim a postura da revista e a forma como o assunto foi colocado".

Pra mim, o problema sempre foi ser diferente e é isso que se vem tentando mostrar a cada dia. O filme Histórias Cruzadas (2011) retrata um pouco disso. Além do tema central ser a luta das empregadas negras nos EUA em 1960, o enredo mostra o visível preconceito que Skeeter Phelan (Emma Stone) sofre pelas amigas. Ela, recém-formada, retorna à cidade disposta a ter um estilo de vida diferente da tradição sulista. Não quer casar e ter filhos, mas seguir a carreira de jornalista. E isso é visto como uma afronta e não como uma escolha diferente. E essa, pra mim, sempre foi e será a luta.

*Um texto cheio de repetições, porque não achei sinônimos suficientes para "problema".  Que problemão!





quinta-feira, março 17, 2016

"O mundo é bem mais que o seu quintal"

Vou contar aqui uma historinha que explica um pouco do meu comportamento diante da vida, do universo e tudo mais.

Há mais ou menos dez anos estava eu na faculdade e indo pra final da disciplina de linguística ( lembrando que fora a primeira e única vez que fui pra final durante todo esse processo, logo, eu estava bem #chatiada).
Na ocasião, eu estagiava no departamento de história da mesma universidade e passava praticamente o dia inteiro no lugar. Então, tinha que dar meus pulos pra estudar entre os intervalos do trabalho.
Num desses momentos, aparece um professor (trabalhava em um setor que lidava diretamente com eles) e me pergunta o que eu estava fazendo.
Eu, sem filtro e aborrecida, fiz o que aluno faz de melhor: falei mal do professor. Sentia-me injustiçada com a nota, e, claro, acabei desabafando esse descontentamento para o primeiro que apareceu. Falei mermo, não vou mentir.

À noite, durante a prova, o professor me olha e pergunta:
-       O fulano te deu meu recado? (referindo-se ao dito professor a quem falei tudo)
-      E aquilo era um recado? Então imagino que o senhor tenha recebido o meu de volta.
A conversa ficou nisso e eu, graças a Deus, passei nessa disciplina.

No fim, pensando em tudo que aconteceu, meu questionamento era só um:

-         Por que minha opinião importava tanto para aquele professor?

Eu ficava ali imaginando, no auge dos meus 20 anos, o que levava uma pessoa a confabular toda uma situação pra saber o que eu pensava sobre ela.
E, vou dizer pra vocês, isso é algo que até hoje não entendo.
Mesmo com toda a inexperiência e imaturidade da época, minha noção de  valor /importância já se vinha se moldando para algo que acredito e tento praticar hoje.
O lema é mais ou menos esse: eu não me importo com o que você pensa  sobre mim e acho que você também não deveria perder nenhuma noite de sono se importando com o que penso sobre você.
Isso não vai fazer a diferença em nossas vidas, a não ser um desgaste desnecessário de nossa paciência, além de uma preciosa perda de tempo.
Quando penso na possibilidade de, em algum lugar do mundo, ter alguém deixando de investir suas energias em seus projetos pessoais, em sua próxima viagem de férias, na educação do filhos,  pra tentar saber o que penso sobre ela, me vem à cabeça: “ Você está fazendo isso errado”.

O segredo é dar a coisas e pessoas o verdadeiro grau de importância que elas merecem. O contrário só deixa a gente velha e não há Renew da Avon que dê jeito!

*O título do texto é um trecho da música Longo Passeio, da banda Los Porongas

quinta-feira, fevereiro 25, 2016

Do fotografar

Já não fotografo tanto, sabe?
Falta prazer. Falta vontade.
Vontade de uma fotografia mais simples, mais gente como a gente, menos plástica.
Essa, entretanto, vai na contramão do desejo da maioria e a impressão que eu tenho é que as pessoas querem ser tudo, menos elas mesmas.
Não interessa retratar o real.  O que elas  querem é a fantasia.
Não estou dizendo que isso é ruim. Volta e meia a gente quer mesmo vestir um personagem, sair da rotina, impressionar e usar algo que não é comum.
O que me preocupa é se vestir dessa ilusão, como se ela fosse a representação autêntica de si.
É a mão pesada nos programas de edição. É vender o que não é.
Mas se vocês querem, quem sou eu, não é mesmo?

Já não fotografo tanto, sabe?

segunda-feira, janeiro 04, 2016

Do fim

Existem acontecimentos que fecham ciclos. Acredito nisso.
Esse fim de semana, arrumando as coisas pra fechar o estúdio, me passa aquele colega que esteve presente no começo dessa história.
Olhou pra mim,e, estendendo a mão, disse:
-       Toma aqui aquela moeda que tu me deu!
(Nem lembrava de ter dado esse real, mas lembro que ele sempre passava lá e pedia a tal moeda redondinha pra ouvir Alexandre na jukebox do boteco da esquina)
-        Não precisa!
-       Toma, eu trabalhei!
-       Não precisa, homem, pega e vai lá ouvir...
-       Alexandre Pires – Você vai voltar pra mim!
-       Essa!


E assim eu encerro mais uma etapa da vida. Fazendo o que eu acho que é certo.

domingo, dezembro 27, 2015

Fica, vai ter bolo!




Hoje Sugestível completa 10 anos de existência nesse mundo virtual.
Entre os questionamentos que me bateram à porta logo cedo,  o mais eloquente: onde deu errado?
Deu errado por não ter mantido a assiduidade das postagens, mas, avaliando astrologicamente, deu muito certo, considerando que uma geminiana conseguiu manter no ar um mesmo projeto por uma década.
Deu errado porque eu não fiquei rica, mas avaliando de forma superficial mesmo, nem teria como.
Não sei fazer tutorial de make, não sei dar dicas de moda, de culinária,  de lojas, de decoração e não evoluí pra uma plataforma mais moderna. Não me tornei uma youtuber.
Contudo, porém, entretanto, "tâmo aqui", não é mesmo?
Tem um ano novinho em folha chegando, com novidades e mudanças tão desconhecidas, que só quando eu chegar lá é que vou saber contar.
Por ora, o meu muito obrigada aos cinco ou sei leitores fieis que me acompanham por aqui. Vocês são demais, crianças!