sexta-feira, novembro 23, 2007

da vida dura

Eu sonho com a preservação do Meio Ambiente, com a paz mundial (como toda miss) e com o bendito dia em que eu deixarei de ser badeca. Sim, porque estagiário é badeco. É aquele que tem que cumprir horário, fazer tudo que lhe pedem, sem férias nem décimo terceiro.
Aos 17 anos eu consegui meu primeiro estágio. A princício, a palavra soava bem: "a estagiária do Dep. de História da Ufac". Bonito, não?
Logo que cheguei fui recepcionada ironicamente pela estagiária que eu iria substituir, a Pitchula. Ela passou uns dias me ensinando o trabalho e onde íamos fazia questão de me apresentar: "Essa é a estagiária que vai me substituir", sempre seguido de uma resposta frustada de quem ouvia: "Poxa, Pitchula, você vai sair, é?"
Nos corredores me olhavam torto e eu me sentia a própria Profª. Suzana (substituta de Profª Helena, na novela Carrossel), mas continuei na minha.
Pitchula acabou sendo recontratada e viramos grandes amigas.
Depois chegou a Íris, outra estagiária. Passávamos por cada uma que dava vontade de morrer. Transcrevíamos fitas, formulávamos, digitávamos, entregávamos e arquivávamos documentos, atendiámos o telefone, cuidávamos do laboratório de informática, comprávamos lanche pro chefe (sempre tendo que pedir pra dona da lanchonete emprestar o copo de vidro, porque ele não tomava café em copo descartável), saíamos fora do horário, trabalhávamos na greve e até limpávamos a sala, quando ninguém mais fazia isso.
Isso tudo acontecia porque nós éramos apenas 'xerebréias'* naquele setor. Segundo o Prof. Bento, numa hierarquia, o xerebréu é aquele que enrola a linha e depois se humilha pro dono da pepeta (pipa) deixar ele brincar um pouco com ela. Um sem moral.
Depois da experiência, passei por mais dois estágios. E hoje posso afirmar com propriedade que o período máximo de dois anos para um estágio foi empiricamente comprovado. Após esse tempo, não há cristão que aguente acordar e ir trabalhar. Independente das condições de trabalho, do chefe, do salário, dos colegas, a paciência já não existe mais e a vontade de ir embora é constante.
Eu sonho com o dia em que deixarei de ser estagiária...E esse dia está próximo, meus caros.

*Não sei a grafia está correta, não sei de onde ele tirou isso, mas que eu ouvi, ouvi.

2 comentários:

Iris disse...

Deda, q legal relembrar essas coisas, adorei. Tava pensando: por mais q na época isso seja de perder a paciência, dois anos depois dá uma saudade enorme até das manhas do Gerson. E o melhor é q algumas pessoas sempre vão estar presentes na nossa vida.
Te admiro muito amiga, toda sorte e felicidade do mundo pra vc.

Dih disse...

Poxa vida...
Eu sei que ser bateca num é lá essas coisas né? Mas da pra conter um pouco o entusiasmo em sair..
Vc deveria pensar mais na sua colega da mesa ao lado que vai ficar abandonada... Jogada às traças.... não acha não?


=P

Mas eu vou t perdoar pq eu sei como não é facil... e que no fundo no fundo vc esta com o coração partido de me deixar lá! :P (hô... ilusão)

Bjus

T amanhã.