terça-feira, setembro 16, 2008

Em busca do sucesso

Como a promissora carreira de cineasta está parada por falta de tempo para me dedicar à área, resolvi ser estrela do rádio. Hoje participei de mais um processo seletivo desastroso (só que dessa vez o Sugestível não teve culpa).

Há umas duas semanas vi no jornal que o Governo do Estado pretende resgatar as tradicionais radionovelas que tanto faziam sucesso antigamente, para isso, ia oferecer um curso (de graça) para formar radioatores. No começo nem dei bola, porque essas coisas legais sempre acontecem no horário comercial e eu estou trabalhando. Mas, para a minha surpresa, o curso é à noite.

Dois colegas de trabalho também se inscreveram e até hoje alegam que eu soube desse curso bem antes e não avisei ninguém para fazer reserva de mercado.

Como muitas pessoas se inscreveram e são apenas 20 vagas, foi necessário o tal do processo seletivo. A tarefa era ler um textinho interpretativo, outro narrativo e torcer pra impressionar. Não funcionou (pelo menos comigo).

Tentei usar a tática da vez passada: fingir desinteresse pelo curso, assim, se eu passasse, seria uma surpresa, como aconteceu com curso de cinema. Não deu certo. Eu tava mesmo a fim de fazer esse curso.

Entrei na sala dibôua, sem muito nervosismo. Coloquei os fones, ajustei o microfone e li direitinho.

Aí a moça disse:

- Você pode ler de novo?

- Tá...

(li de novo)

- Certo...Respira...Já tá menos nervosa?

- Er...Pera (eu não estava oficialmente nervosa até então, mas aí minhas mãos começaram a gelar, tremer e foi-se).

(li de novo...)

- Você pode ler o outro texto?

(enquanto isso, o cara da mesa de som, ao lado dela, fazia gestos positivos do tipo “Vai lá, solta a voz!” “Fala com o coração!”)

E eu ali pensando “O que diabo eles ainda acham que eu tenho pra soltar? Eu não tô escondendo o jogo não...É só isso mesmo!”

Li mais uma vez, ela agradeceu e eu saí da sala.

Com meus colegas de trabalho a experiência não foi muito diferente. Jihane até pensou em apelar para o emocional e dizer que precisava dessa vaga, porque apanhava em casa e sentia que o rádio poderia salvá-la, mas ficou tão nervosa que acabou se atrapalhando.

Já eu me via estrelando a nova radionovela da Rádio Difusora Acreana, com uma big festa de lançamento, dezenas de cartas dos fãs e muitas fotos estampadas no jornais com o título “Ela não é só mais uma vozinha bonita do rádio”.

* Em tempo, o resultado da seletiva sai amanhã, mas como eu prevejo um futuro negativo, vou postar logo o texto.

Um comentário:

Fabiana Mesquita disse...

Você vai passar, boba.