sexta-feira, outubro 10, 2008

Nos tempos idos


Era normal ter um caderninho de perguntas com: de que time você é? E a sua escola de samba?

Também era normal responder “Flamengo” e “Mangueira”, quando ainda não se sabia o que era torcer por um time ou pertencer a uma escola de samba. A associação era lógica. Flamengo por causa da torcida gigantesca e Mangueira, claro, por causa de “ensaboa, mulata, ensaboa..."

Viver num lugar onde se aprende os versos de Cartola na alfabetização é delicioso.

Volto ao jardim
Com a certeza que devo chorar
Pois bem sei que não queres voltar para mim

Queixo-me às rosas, mas que bobagem
As rosas não falam
Simplesmente as rosas exalam
O perfume que roubam de ti


Ainda hoje suas composições são tocadas nas rodas de samba dos bares de esquina, de centro, de clubes, de fundo de quintal. Agenor Silveira é personagem importante na história da música popular. Morreu em 1980, com 72 anos. Antes disso fundou a escola verde-rosa, compôs “O mundo é um moinho”, foi boêmio, mulherengo, bebedor. Fez sucesso e depois sumiu. Reapareceu com o Zicartola, o bar que mais parecia um templo do samba.

Foi nas rodas desse bar que Nara Leão deu um tempo na Bossa Nova, para voltar, anos mais tarde, enriquecida nesse estilo musical.

E é a falta desse nobre poeta do morro que os cariocas ainda choram quando homenageiam seus cem anos.

2 comentários:

dissonante disse...

Fabi, esses dias ouvi Cartola, mas também Nelson Cavaquinho, Elton Medeiros, Candeia e Clara Nunes e pensei como faz falta a poesia cantada de quem tem como matéria- prima a vida, as dores e como bem disse uma amiga, a maior das aprendizagens, o amor. Cartola me lembra amor sempre, perdido, achado e livre.

Fabiana Mesquita disse...

Ju, me diverti outro dia ouvindo o álbum da Clara Nunes que vc gravou pra mim. Ela cantava com sorriso no rosto, dá pra ouvir pela voz.
E Cartola cantava a beleza das coisas, mostrava que em tudo podíamos encontrá-la...
Beijos e boa produção monográfica!!